Brasil, cultura e federalismo

Por Joacir Dal Sotto *

O que une o ser humano não é tentar igualar todos os povos através de uma única verdade política, religiosa, ou de forma genérica, através de uma única verdade cultural. Na sociedade da informação, inúmeras possibilidades surgem, mesmo que o imediatismo seja negativo para alguns indivíduos. Falar da constante relação entre os diversos povos é falar de mudanças significativas que são benéficas e também maléficas. Entre diversas verdades é que permanece o caminho tradicional pautado na crença determinista de uma moral.
O Brasil foi colonizado e ao longo de sua juventude (que ainda vigora) foi copiando o que interpretava dos europeus e americanos. Na tentativa recente de definir uma identidade e unidade cultural brasileira, podemos descrever características particulares do Brasil, mas nenhuma fala midiática representa plenamente todas as unidades regionais que divergem da visão geral.
Então, o que está errado no Brasil?
O erro do Brasil começa pelo pacto federativo. Do artigo 145 até o artigo 162 da constituição federalista temos muitos tópicos, vale destacar o tema das competências tributárias dos entes da Federação, que também e de forma limitada possuem como responsabilidade ou servidão, os encargos e serviços públicos.
Falo servidão diante o pacto federativo para apontar que qualquer região do Brasil carece de autonomia. Sem autonomia regional tentamos unir povos de forma genérica para atender aos interesses de poucos que administram o poder central.
Muitos sulistas indignados com o cenário político brasileiro querem discutir sobre o pacto federativo, sobre o Brasil com seus diversos povos, sobre autonomia regional e desestabilização da falsa federação que sufoca seus povos.
Unimos eticamente pelo respeito e respeitar envolve debate, democracia, autonomia, liberdade, representação política partindo de propostas do representante ao eleitor, oportunidades ao novo que deseja ocupar o lugar do velho, consciência e controle dos habitantes de cada ente da federação sobre grande parte do que possui de cultura ou resultado do trabalho, Brasil que é representado por fiscais do povo e que recebem menos de 30 por centro da produção dos seus membros estaduais para contribuírem com os estados que eventualmente necessitem. Em uma união ética tornamos possível uma jornada longa, caminho destinado aos povos que na brevidade humana protegem o poder humano em escolher e ser responsável por suas escolhas.
Quem participa da política para mudar o que assombra os bons?

* Escritor Joacir Dal Sotto, autor do livro Curvas da Verdade e mestrando em práticas transculturais.