Celso Deucher

262 anos da morte de Sepé Tiarajú

Por Celso Deucher

Nossa história de libertação do Sul vem de longe... Nascemos todos Guarani e Ges... De muitas povos e nações... Vinhamos ao mundo Guaianás, Ibiraiaras, Caaguás, Arachãns, Carijó, Tapes, Pampeanos, Kaiguangues, Xocklengs, Charruas, Caiuas, Minuanos, Mbyas, Xiripas, Xetas, Guenoas, Yaros, Mboanes e Chanás, entre tantos outros. Falávamos várias línguas e muitos dialetos... Tínhamos nosso próprio modo de vida. Nossa casa era a imensidão do mar verde da floresta Sulista. Nosso teto sempre foi as galhadas majestosas das araucárias. Éramos livres e não admitíamos que ninguém nos tolhesse o direito de andar e viver em plenitude em nossa própria terra.

Desde o dia em que o espanhol Vicente Yanes Pinzon, em 1499, aportou nas terras mais tarde chamadas de Brasil, nosso modo de vida passou a ser ameaçado. Logo viriam os aventureiros e súditos de reis e reinos distantes tentando impor a Povo Sulista uma outra cultura, sacrificando nossos usos costumes e tradições ancestrais. Com armas muito superiores as nossas, aos poucos foram tomando conta deste território, matando e expulsando os verdadeiros donos da terra... E por isto, como reação a esta usurpação, surge o sentimento de autodeterminação Sulista, que remonta o século XVI. Foram os chamados Movimentos nativistas de defesa da nossa terra e da nossa gente.

O primeiro e mais importante movimento organizado surgiu no que hoje conhecemos por Paraná e parte de Santa Catarina. Sob a liderança do Cacique Guayracá, primeiro herói Sulista. Formamos uma primeira Confederação de Aldeias e Povos e sob a liderança de Guayracá criamos um exército de mais de 100 mil compatriotas. Combatemos heroicamente de 1550 a 1601 os Espanhóis que pretendiam anexar este território. Enfrentamos e vencemos muitas batalhas, principalmente contra as tropas de Irala em 1554, de Nuflo de Chaves em 1555, de Alonso Riquelme em 1561, de João de Garai em 1576 e de Hermando Saavedra em 1601. Neste primeiro ciclo de lutas contra os invasores perdemos nos campos de batalha mais de 80 mil compatriotas. Mas ficou marcada a nossa divisa de luta, na frase do grande líder Guairacá: “Esta terra tem dono”.

A partir de 1601, aos inimigos do Sul juntam-se os portugueses, que também, nada mais queriam, que escravizar nosso povo e se apropriar deste território. Nós, através de uma aliança com os Jesuítas, criamos as primeiras missões guaraníticas e nelas construímos uma magnifica civilização. Objetivando a defesa deste território e de nosso povo, erguemos uma grande Confederação de Missões, que mais tarde ficou conhecida como a “República Del Guaíra”. Nesta organização social, criamos o comércio, as instituições jurídicas, as artes, a moeda, uma economia forte e pujante. O Sul floresceu com a expectativa de um grande futuro. De 1610 a 1628, foram fundadas diversas Missões. Entre elas, as que tiveram maior expressão estão Nossa Senhora de Loreto do Pirapó, San Ignácio Mini, San Jose, San Francisco Xavier, Nuestra Señora de la Encarnación, San Miguel, Jesus Maria de Guaraverá, San Antonio, San Pablo del Ivagy, São Tomé, Sete Arcanjos, San Pedro de los Piñares e Nossa Senhora da Conceição.

Sepé Tiarajú, herói Sulista.

Não tardou a repressão. Novamente, tanto espanhóis como portugueses passaram a tramar contra o Povo Sulista e atacaram nosso território. Lutamos heroicamente contra os Encomenderos espanhóis e os traficantes de escravos portugueses. Fomos cruelmente espezinhados pelos exércitos inimigos e praticamente dizimados. Em 1629, somente as duas maiores e mais antigas missões da Confederação estavam de pé: Nossa senhora do Loreto e San Ignácio Mini. Com nossos inimigos nos perseguindo e fechando cada vez mais o cerco, não tivemos outra opção, senão fugir. Foi uma fuga sofrida.

Construímos mais de 700 embarcações e através do Rio Paranapanema mais de 12 mil compatriotas tiveram que se arriscar para não ser chacinados. Na chamada “Marcha dos Catecumenos”, estes 12 mil irmãos foram praticamente dizimados por emboscadas, vítimas de inanição e de inúmeras doenças e agruras da mata virgem. Apenas 4 mil de nós chegaram em segurança as Missões de “Natividad del Acaray” e de “Santa María del Iguazú”, onde hoje se situa nossa valorosa cidade de Foz do Iguaçu. Em todo nosso território tombaram em batalha ou foram capturados como escravos, mais de 100 mil compatriotas.

Tempos depois, em 1632, nosso povo voltou a se reagrupar e criou novas missões desde o Rio Paraná até o Rio Uruguai, incluindo parte do Paraguai e Argentina. Era o renascimento do sonho Sulista através da construção de uma outra Confederação: Os Trinta Povos. Em território Sulista, fundamos os Sete Povos das Missões ou a Confederação das Missões Orientais. Faziam parte desta nova Confederação, São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Através destas missões progredimos muito em todas as áreas do conhecimento humano. Honramos nossa terra ancestral construindo uma grande civilização.
Como de costume, nossa paz logo foi ameaçada, mais uma vez pelos dois reinos distante: Espanha e Portugal, que eram Brasil. Em 1750 estas duas potencias assinam o Tratado de Madri e sem nos consultar, decidem que as terras em que vivíamos passariam para o domínio Português, nosso principal inimigo naquele momento. Simplesmente recebemos a ordem para abandonar tudo e fugir de nosso próprio território.

Esqueceram que em nossa cultura as terras ancestrais são um bem inegociável e portanto não podem ter dono de além mar. Afinal os filhos da terra são os donos da terra. Em nossa fé e cultura, quando uma pessoa morre ela se transforma em terra. Portanto em nosso território estão nossos antepassados e por isto, esta terra é parte de nós.

O trabalho de demarcação das fronteiras se iniciou em 1753. De imediato, sob a liderança de nosso grande herói Sepé Tiarajú, organizamos a resistência e mais uma vez fomos a guerra. A peleia grossa se inicia em 1754 e segue até 1756. Lutamos contra dois grandes exércitos fortemente armados, mas sem honra. No dia 7 de fevereiro de 1756, na batalha de Caiboaté, nosso líder maior, Sepé Tiarajú, é covardemente assassinado. Neste mesmo dia, após a morte do líder, outros 1500 compatriotas foram chacinados.

Lutamos ainda mais três meses e em maio daquele ano, os exércitos inimigos se juntam na fronteira com o Uruguai e dizimam nossos batalhões de compatriotas. Mais uma vez, mais de 30 mil irmãos de luta perdem a vida peleando bravamente pelo nosso chão sagrado. Nossos filhos, esposas e velhos, que não morreram de fome, frio, doenças e ataque de animais bravios, fugiram para bem longe do alcance dos inimigos.

Neste dia 7 de fevereiro, completam-se 262 anos da morte de Sepé Tiarajú, nosso segundo grande herói da luta Sulista. Tantos séculos depois, cá estamos, lutando pela mesma causa em defesa da nossa terra e da nossa gente. Hoje organizados em um movimento de libertação, usamos a mesma divisa de guerra de Guairaca e Sepé e mantendo viva o grito: “Co Yvy Oguereco Yara”... Esta terra tem dono, por que o Sul é o nosso País. Basta de Brasília!!!


Movimento elege e dá posse a nova diretoria nacional

Presidente eleito Emilio Glienke e a nova diretoria durante a Assembleia Geral de Lages.

Na tarde do último sábado, aconteceu em Lages/SC a Assembleia Geral Ordinária com o objetivo de eleger a nova diretoria nacional do Movimento O Sul é o Meu País. Tendo como local o salão de convenções do Hotel Map, uma chapa de consenso foi apresentada e eleita por aclamação, tendo na presidência o compatriota Emilio Glienke de Santa Catarina. Os representantes para o Paraná e Rio Grande do Sul também mudaram nesta nova diretoria. O primeiro Vice-Presidente (para o Rio Grande do Sul) passa a ser Douglas Aimoré de São Leopoldo e o segundo Vice Presidente (para o Paraná) é Albino Ercico, de Foz do Iguaçu.

Para os demais cargos foram eleitos os seguintes compatriotas: Secretário Geral, Adilson Vieira da Silveira; 2º Secretário, Joacir Dal Sotto Correia; 1º Tesoureiro, Júlio Rodrigues Zarnitz; 2º Tesoureiro, Walson Conrado Wuerz; Diretor Jurídico, Adelar Bitencourt Rozin; Diretora de Relações Internacionais, Eva Tainá de Freitas; Diretor de Mobilização Estratégica, Júlio César Souza; Diretor de Estatística, Osvaldo Valdemar dos Anjos e Diretor de Comunicação Social, Ivan Barabach.

O presidente Odilon Xavier de Freitas como último ato da sua gestão a frente do Movimento, deu posse a nova diretoria, desejando sucesso aos dirigentes e colocando-se a disposição para contribuir no que for necessário. Como símbolo de posse o novo presidente recebeu das mãos do antigo, uma placa com as seguintes inscrições: “Movimento de Conscientização Plebiscitária O Sul é o Meu País”. Xavier de Freitas ponderou que esperava em breve ver esta Placa sendo usada na sede nacional, que doravante passa a ser na cidade de Pomerode, Santa Catarina, cujo endereço será em breve divulgado pela nova diretoria empossada.

Após empossado, o presidente eleito, Emilio Glienke, usou da palavra para agradecer o apoio e a confiança depositado nesta nova equipe: “Reconhecemos a enorme responsabilidade e convocamos a todos para se manterem unidos em torno da causa, que é grande e justa, porém difícil”, disse.

Confira neste link a Ata oficial da Assembleia: https://www.sullivre.org/ata-de-eleicao-e-posse-da-nova-diretoria-do-movimento-o-sul-e-o-meu-pais/


Ata de eleição e posse da nova diretoria do Movimento O Sul é o Meu País

A presente Ata (em anexo) da Assembleia Geral de Lages/SC, realizada no último dia 11 de novembro de 2017, dá posse oficial aos membros da nova diretoria do Movimento O Sul é o Meu País para o quatriênio 2017/2021.

Lages - Ata da Assembleia Geral Ordinaria

Nota de Falecimento - Compatriota Antoninho de Foz do Iguaçu

Antoninho Valdecir Sartori

Com pesar comunicamos o falecimento do compatriota Antoninho Valdecir Sartori (nosso querido Antoninho) em um acidente automobilístico na noite deste domingo, dia 13. Valioso compatriota de luta na cidade de Foz do Iguaçu, Antoninho deixa a todos nós do Movimento O Sul é o Meu País enlutados. Doou grande parte da sua vida para a causa Sulista, não apenas em Foz, mas em todo o Sul. A família e aos compatriotas de Foz do Iguaçu, nossos mais profundos pesames em nome de todos os simpatizantes, militantes e lideranças do Movimento O Sul é o Meu País. Seu corpo estará sendo velado no pavilhão da Igreja Católica na Vila Carimã, em Foz.

Emilio Glienke

Presidente da Comissão Nacional

Movimento O Sul é o Meu País

Antoninho sempre presente nas ações da causa em Foz do Iguaçu, com sua querida e guerreira esposa.

A grande imprensa brasileira e a independência da Catalunha

Celso Deucher*

 

"O que existe de sobra por aqui é medo, muito medo de que a Catalunha exporte democracia para o mundo. Que as mais de 400 nações presas a estados que não querem, se animem e transformem este mundo num lugar muito melhor para se viver, sem o neocolonialismo interno, que neste momento está a todo vapor em todas as partes do Planeta".

 

Os mais antigos, em nome da parcimônia, ensinavam que não é bom criticar (ou se meter) com padre e juiz, assim como para não perder a amizade deve-se evitar discutir religião, política e futebol. Mais recentemente incluíram na lista do que não é bom “se meter”, a imprensa. O quarto poder teria todos os instrumentos para matar uma pessoa e deixá-la perambulando pelo mundo.

Isso é verdade e vem acontecendo diariamente no Brasil. Temos uma multidão de inocentes vitimados pela imprensa, ao mesmo tempo que pululam bandidos, exaltados pelos meios de comunicação, protegidos pelos bilhões que investem corrompendo rádios, TVs, jornais, sites, etc. Nunca esteve tão em voga o “jabá” e os “penas alugadas” como nestes últimos anos. E falo tudo isso, por que conheço o setor. Trabalho em comunicação faz 28 anos. Salvam-se nesta "casa de alteire" a guerreira imprensa do interior. Com suas peculiaridades, esta imprensa mantem-se porta voz dos povos dos brasis e de suas demandas, até por que passa à minguá de verbas federais.

Diante deste quadro, é fácil perceber por que não se consegue ver absolutamente nada dissonante no verdadeiro jogral da grande imprensa brasileira. Todos contra a independência da Catalunha. Amordaçada por Brasília através das concessões e empréstimos a perder de vista do BNDS, essa imprensa esforça-se para parecer isenta e os seus colaboradores, colegas jornalistas, presos a seus empregos (com salário de fome), prostituem sua ética profissional, repercutindo simplesmente aquilo que a “patronagem” exige. Para esta imprensa tudo é preconceito, fascismo, discriminação... Estimulam o debate raso e sem ética, fomentando a discriminação.

Prova maior é a forma como vem sendo abordada a questão da Catalunha. Não se viu na grande imprensa do Brasil um simples questionamento se os Catalães têm ou não direito de opinião e expressão, que é a base do direito de autodeterminação. Não seu viu também ninguém sequer aventar a possibilidade de que as leis draconianas da Espanha não podem impedir os Catalães, assim como qualquer povo, do direito sagrado e irrenunciável de votar a favor de não pertencer a um estado que não se sentem parte. Inexiste nesta grande imprensa um simples questionamento sobre a legalidade da votação do Parlamento Catalão, que possui maioria “separatista”. Afinal, não se aceita mais no Brasil maiorias parlamentares? Ou seria a aceitação da verdade que o Movimento O Sul é o Meu País prega já faz 25 anos, que a representatividade parlamentar no Congresso Nacional é ilegítima?

Ninguém dos grandes veículos de comunicação por aqui fala da aberração que é um estado nacional, a pretexto de defender sua integridade territorial, manter um povo escravo como mero escravo produtor de riqueza. Qual a diferença com o antigo sistema colonial? Absolutamente nenhuma. Madri, assim como Brasília, rouba a riqueza de seus povos e distribui pobreza. Em grande parte, é desta relação antidemocrática que surgem os independentismos.

O que existe de sobra por aqui é medo, muito medo de que a Catalunha exporte democracia para o mundo. Que as mais de 400 nações presas a estados que não querem, se animem e transformem este mundo num lugar muito melhor para se viver, sem o neocolonialismo interno, que neste momento está a todo vapor em todas as partes do Planeta.

A União Europeia morre de medo que as nações sem estado transformem aquele continente em mais de cem países. As Américas tremem nas bases pois possuem mais de oitenta movimentos de Independência em seus territórios. Na Ásia não é diferente e por lá, a coisa tende a esquentar mais ainda nos próximos anos com mais de setenta movimentos. Na África, centenas de povos continuam aprisionados a Estados totalitários e uma eventual secessão da Catalunha inspiraria certamente muitos deles a quebrar as correntes. Em todos os continentes do planeta há um grito de liberdade sendo ecoado e um questionamento, cada vez mais veemente da legitimidade dos estados nacionais e suas práticas neocoloniais.

Na América Portuguesa, os últimos anos mostram que os níveis de perigo para o status quo tutelado por Brasília, tem aumentado. A Meca da corrupção nacional e seus donos tem que manter seus feudos produzindo riquezas para sustentar além das oligarquias de esquerda e direita, os dutos gigantescos por onde escorrem bilhões de reais para a corrupção, incluindo a legalizada, como o Fundo Partidário.

Por isso, é muito perigoso que a imprensa nacional dê qualquer razão aos Catalães, pois os independentismos dos brasis, certamente vão pegar carona e as correntes fatalmente se quebrarão. Num simples, mas lógico raciocínio, a mamata acaba. No nosso caso específico, as Colônias do Sul param de mandar suas riquezas para Brasília e a bandidagem fica sem o que afanar. Daí que a grande imprensa não recebe mais suas propinas legalizadas, como os anúncios das “ações” governamentais, principal moeda de troca de favores entre o comando central e seus fiéis escudeiros. Quer motivo mais importante para que os Catalães sejam demonizados por aqui?

Meu avô sempre dizia que quanto maior é o paiol de milho, maior é o número de ratos que atrai. Os que defendem Brasília e a farsa federalista brasileira, nada mais são que os ratos da ilha da fantasia encastelada no Planalto Central. Assim como na Espanha os Catalães estão gritando cada vez mais alto “Basta de Madri”, por aqui, já ecoam vozes significativas com um retumbante “Basta de Brasília”.

* O autor é jornalista, ex-presidente do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral do Gesul – Grupo de Estudos Sul Livre.


Comunicado e Alerta a Sociedade Sulista

A Comissão Nacional do Movimento O Sul é o Meu País COMUNICA a todos os seus simpatizantes, militantes e lideranças que NÃO AUTORIZA ninguém, em qualquer instância desta organização, ou fora dela, a solicitar doação financeira em nome desta instituição. Outrossim, deixa a toda sociedade Sulista, desde já cientificada e ALERTA que pessoas inescrupulosas estão criando campanhas de arrecadação sem nossa permissão, configurando claramente crime contra a instituição e contra a Lei nacional.

Passo Fundo, 13 de outubro de 2017

 

Odilon Xavier de Freitas

Presidente da Comissão Nacional

Movimento O Sul é o Meu País