A 13 de janeiro de 1825, foi armado o espetáculo brasileiro do enforcamento de Frei Caneca, um dos grandes líderes da Confederação do Equador, diante dos muros do Forte das Cinco Pontas. Despojado do hábito religioso, três carrascos se recusaram a enforcá-lo. Diante disso, a Comissão Militar ordenou seu arcabuzamento, atado a uma das hastes da forca, por um pelotão. Seu corpo foi colocado junto a uma das portas do templo carmelita onde os padres o recolheram e enterraram em um local até hoje não identificado. Ao todo foram executados onze confederados, dos quais três no Rio de Janeiro. O primeiro deles foi frei Caneca.

Por Elias Boza*

Hoje, dia 2 de julho, Pernambuco comemora uma de suas datas magnas, os 193 anos da revolução republicana emancipatória que se alastrou por quase todo o Nordeste, chamada CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR, que se deu em 2 julho de 1824. Tinha como raízes o movimento da Guerra dos Mascates e a Revolução de 1817, essa última que tornou o Nordeste um país livre de Portugal e do Brasil.

Os motivos da Confederação do Equador foram diversos, sendo os mais notórios, a repulsa pela exploração irresponsável do Nordeste e o absolutismo monárquico, que sempre representou tirania na região, que por 200 anos foi a mais próspera das Américas. O que precipitou a Revolução, encabeçado por Frei Caneca, foi a dissolução da assembleia constituinte por Dom Pedro l, no ato da independência do Brasil de Portugal em 7 de setembro do ano anterior.

Pernambuco não aceitou nem se curvou a uma constituinte que lhe traria um regime altamente centralizador, sabendo que caso houvesse aceitação, em pouco tempo o declínio de capital, comércio e riqueza da província e da região seria um fato. Mais que isso, Pernambuco esperava que a primeira constituição do império seria federalista e daria por lei, a autonomia que sempre teve, para que também as províncias pudessem resolver suas questões. Esta esperança foi frustrada pelo ato autoritário de Dom Pedro de dissolver a constituinte de 1823 e outorgar uma totalmente centralizadora. Resultado disto, é claro, seria o declínio do nordeste, o que de fato aconteceu.

Tendo estes motivos como pano de fundo, a revolta se plantou e a revolução eclodiu em Pernambuco, logo seguido por Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O sonho da independência era maravilhoso, pois mais uma vez o Nordeste estava unido e unânime na sua independência.

Mas querer liberdade no Brasil é um pecado mortal. Por liderar a revolução Pernambuco foi severamente punido num ato inconstitucional de Dom Pedro, que matou os idealizadores do Movimento e mutilou ainda mais seu território. Pernambuco perdeu a comarca do São Francisco, região rica, mesmo sabendo Dom Pedro que nenhuma província teria capacidade de gestão da grande comarca. Sabia ele que a constituição vigente naquele momento proibia mutilar uma província a benefício de outra, tanto que pela constituição atual, as terras ainda pertencem a Pernambuco, mas a sua tirania e seu absolutismo falaram mais alto.

Sem muito esforço é fácil entender que a centralização outorgada pelo autoritário príncipe se sistematizou pelas mentes e principais instituições sudestinas. A centralização do poder e capital na região mais nova do Brasil, a começar pelo Rio de Janeiro, que grande parte da sua construção e poder financeiro deve-se ao fato da fuga de Dom João Vl de Portugal para morar no Rio, por sua escolha, pesando sua mão nos impostos das províncias mais prósperas, a maior delas Pernambuco – que enquanto produzia para enriquecer a nova capital do Brasil, vivia numa desgraça de declínio junto com toda região Nordeste.

NÃO! Nunca foi, não é e nem nunca será a seca, o principal declínio de capital financeiro do Nordeste, e sim o monopólio centralizador que ainda existe e dificilmente vai mudar. Não temos um país federalista e, infelizmente, nem o teremos. O que fazer, o que pensar sobre isso? Aceitar? O sangue dos revolucionários da Confederação do Equador clama por nossa atitude. Clama pela continuidade do idealismo que sempre tivemos e da volta de nossa região ao topo, que é seu lugar de direito!
Viva a Pernambuco! Viva o Nordeste! Vida a nossa independência!

*O autor é membro do Movimento Nordeste Independente. Fonte: https://www.facebook.com/movimentonordesteindependente/posts/1473040969400579:0