Julio Zarnitz, economista.
Corecon/MS 1088.

Quando debatemos a independência da região Sul do Brasil é comum as pessoas terem uma visão errônea de que pelo fato de sermos menores, PR, SC e RS juntos não iriam ser economicamente viáveis. Ledo engano destes nossos compatriotas. Não é à toa que a região Sul é a 2a. região mais desenvolvida do Brasil e, independente, seria o 4a. maior economia da América do Sul.

Neste artigo procurarei mostrar o quão forte é a economia dos 3 (três) estados, utilizando dados oficiais de órgãos governamentais e institutos de estatística.

A relevância da economia da região Sul Brasileira

Em 2014 a economia da região Sul foi responsável por 16,41%, do PIB (produto interno bruto) do Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), sendo de 948,45 bilhões de reais. 2014 é o último ano onde, até o momento, o IBGE apresentou o PIB por estado.

Isto quer dizer que a economia da região é a segunda maior do Brasil, mesmo sendo apenas a terceira região em população, com 14,30% da estimativa da população em março de 2017.A diferença de 2,11% entre a representatividade do PIB e da população no Brasil pode ser explicada por fatores sociais, como o fato de a taxa de natalidade da região Sul ser a menor do país, fazendo com que a população economicamente ativa seja a maior parcela da população.Atualmente o Brasil é 7ª. maior economia do mundo, com um PIB de 5,78 trilhões de reais, ou 2,35 bilhões de dólares. Se o Sul se tornar independente o Brasil iria cair para 9ª. posição deste mesmo ranking, e o Sul Independente iria ocupar a 32ª. posição no ranking de 207 países.

 

Fonte: elaboração própria.

Em termos de economia O Sul independente estaria no mesmo nível de países de primeiro mundo como Áustria, a Dinamarca e Singapura; e também junto com países tipicamente exportadores de petróleo, como o Irã, os Emirados Árabes e a Colômbia.

Na América do Sul a região Sul seria a 4ª. maior economia, atrás do Brasil, Argentina e Venezuela.

A economia da região Sul é bem distribuída entre a agropecuária, extrativismo, indústria, comércio e serviços.

Na indústria cada estado da região possui uma característica bastante peculiar, por isto iremos mostrar os dados de cada um, começando pelo Paraná.

Paraná

Possui um PIB industrial de R$ 75,8 bilhões, equivalente a 6,4% da indústria nacional. Emprega 821.876 trabalhadores. O estado possui o 4º. maior PIB do Brasil com R$ 301,1 bilhões (2014). Possui 11,2 milhões de habitantes, é o 6º. mais populoso do país.

Fonte: Portal da Indústria

Santa Catarina

Possui PIB industrial de R$ 62,1 bilhões, equivalente a 5,3% da indústria nacional. Emprega 765.901 trabalhadores na indústria. É o 6º. maior PIB do Brasil, com R$ 204,8 bilhões (2014). Com 6,9 milhões de habitantes, é o 11º. estado mais populoso do Brasil.

Fonte: Portal da Indústria.

Rio Grande do Sul

Possui PIB industrial de R$ 72,5 bilhões, equivalente a 6,1% da indústria nacional. Emprega 825.798 trabalhadores na indústria. É o 5º. maior PIB do Brasil, com R$ 309,9 bilhões (2014). Com 11,3 milhões de habitantes, é também o 5º. estado mais populoso do Brasil.

Fonte: Portal da Indústria.

Na agricultura o Sul é a 3ª. região com maior produção agrícola em toneladas, com 14% da produção nacional. A região Sudeste é a primeira com 53,56% da produção nacional, e a região Centro Oeste é a segunda, com 22,44%.

Os principais produtos da agricultura da região Sul são: cana-de-açúcar, soja, milho, arroz, trigo, mandioca, batata, laranja, banana e maça.

São destaques o trigo, a maça, a aveia, o fumo e a cevada; onde a região produz mais de 90% de toda a produção brasileira. Veja a tabela abaixo.

Fonte: Ministério da Agricultura, censo agropecuário 2016.

A tabela acima faz parte do Censo Agropecuário 2016 elaborado pelo Ministério da Agricultura, nela é possível visualizar que para a maioria dos itens que são produzidos a região Sul possui a liderança.

Na pecuária o cenário não muda. A região possui liderança nacional no abate de suínos (65,25%) e de frangos (60,86%), e destaque na produção de leite (39,38%) e de ovos (24,94%).

Os dados acima foram obtidos do IBGE, em seu Fascículo de Indicadores o 3º. Trimestre de 2016. Veja em detalhes na tabela abaixo.

 

Conclusão

Sim. Esta é a resposta para uma das principais perguntas que é feita ao movimento O Sul é o Meu País: O Sul conseguirá se sustentar economicamente se for independente?

É comum ao leigo pensar que ao fazer a independência a população sulista perderá riquezas como a Amazônia, o Pantanal e as bacias de petróleo do Sudeste. Mas devemos lembrar que nossa região é muito rica e diversificada, tanto em riquezas naturais quanto pela produção agrícola, pecuária e industrial. Isto tanto é verdade que se a região se declarar independente, hoje seria imediatamente a 32ª. maior economia do mundo, algo bastante relevante.

Nenhum país no mundo é autossuficiente, portanto, para os produtos que não produzimos devemos comercializar com os demais países, e neste cenário será normal o próprio Brasil se tornar o principal parceiro comercial de nossa nação. A grande questão que devemos levantar é: como elaborar políticas de importação a fim de beneficiar a importação de máquinas e equipamentos que permitirão aumentar a produtividade da região e agregar valor em nossas exportações.

Neste sentido a Alemanha é destaque com o café. O país não possui produção de café, mas é o maior exportador do mundo deste produto. O mesmo acontece com o chocolate na Suíça, o pais não possui produção de cacau, mas é disparado o maior exportador do produto no mundo.

E finalmente, nesta avaliação também precisamos levar em conta nosso próprio potencial de crescimento, pois estamos ávidos para que após nossa independência possamos investir o valor pago em impostos federais em ampliação de rodovias, ferrovias e portos; reduzir a carga tributária, tornar eficiente o registro de patentes e o desenvolvimento de novos produtos e empresas.

Se nosso país tiver competência na gestão de nosso próprio potencial, em uma ou duas décadas já iremos dar um salto no ranking das maiores economias do mundo. Quem sabe um dia ultrapassar o Brasil.

 

Referências

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Perfil da Indústria. São Paulo. Disponível em http://perfilestados.portaldaindustria.com.br/

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, Centro Agropecuário 2016. Brasilia. Disponível em https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1618

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICAS (IBGE), Brasil em Síntese. Brasília. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/v4/brasil/sc/panorama